Maria Eugenia

Povão


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De madrugada sempre a mesma coisa
Sempre atrasado
Acorda assustado com o galo que já cantou
Pé na botina, café só na cantina
Pois quem devia fazer com trouxa e tudo se arribou
A condução como sempre é um castigo
Um metro de língua pra fora
Todo dia a mesma hora
Quando chega já passou
Coça a cabeça, lembra a cara do patrão
Salário atrasado, os menino "pelado"
Quer mudar de profissão

Povão, parece formiga
Enquanto descansa carrega pedra e não briga
Povão, vive de teimoso
Quer ganhar na loteria pra viver gostoso

Felizmente, o coletivo chega
De gente empencado
Os mais "educado" se esfregando nas "mulhé"
Sem saber o que se passa
O ricaço do patrão lhe diz com a boca de jacaré:
- Pelo jeito,o senhor dono da firma
Dorme frouxo até meio-dia
Atrasado todo dia
Chega bem a hora que quer
Vê se ajeita, servente cara de tacho
Senão lhe mando embora
Não pago o que lhe devo
e 'inda lhe dou uns "ponta-pé"

Trabalhando, o que ele ganha hoje
Come no dia seguinte
Parece um pedinte sem respeito da família
Quisera um dia tivesse um governo sério
Ia ter muita fartura e menos barriga vazia
Chega em casa de noite cansado
Sabendo que os vizinho tão sabendo
Que ele deve pra Deus e todo mundo
Vai pro boteco, toma uns "conhaque"
Pra esquecer dos "baque", 'inda aparece
Quem lhe chame cachaceiro e vagabundo

Com muito custo comprou uns lote,
Aí vendeu os lote apostando na sorte
Pra amenizar o peso da cruz
Pegou a caixinha, rapou tudo que tinha
E apostou na avestruz!

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