Fabio Soares

Silhuetas de Campo

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No lombo de um verso
Troteando nas cordas do meu violão
Me paro solito a mirar o galpão
E um cheiro de terra habita a morada
Num canto gaúcho que é parte de mim
Que deixa meu catre em alegria sem fim
Pois tudo que quero tenho nesse rincão

Um cavalo gateado e um cusco ovelheiro
Fiéis companheiros que tenho na lida
Um ranchito humilde, um pequeno terreiro
E uma linda morena por minha querida

São essas belezas silhuetas de um campo
Onde tenho faceiro traçada a minha vida
Retratado no verso que brotou desse canto
Só quando eu morrer pra fazer despedida

No gole do amargo
Que em manhãs de geada espanta o frio
Moldurado em ipês corre manso um rio
E os lambaris e as traíras servem pra o sustento
Tenho erva pura folha pra o meu chimarrão
E a paz infinita que brota do galpão
Me deixa a esmo, de tranco macio

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