No comboio descendente

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No comboio descendente
Vinha tudo a gargalhada
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada
No comboio descendente
De queluz á cruz-quebrada

No comboio descendente
Vinham todos á janela
Uns calados para os outros
E os outros sem dar-lhes trela
No comboio descendente
Da cruz-quebrada a palmela

No comboio descendente
Mas que grande reinação
Uns dormindo outros com sono
E os outros nem sim nem não
No combóio descendente
De Palmela a Portimão


Autor(es): Fernando Pessoa, José "Zeca" Afonso