Helder Moutinho

Ai do Vento

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São as saudades que nos trazem as tristezas
É o passado que nos dá a nostalgia
E é o mar que tem sempre as marés presas
Naquela praia onde inventamos a alegria

São os meus olhos que não guardam o cansaço
De querer sempre, sempre, amar até ao fim
E toda a vida é um poema que não faço
E me persegue na paixão que trago em mim

Ai do vento, ai do vento
Que transparece o lamento
Da minha voz sem te ver;
Ai do mar, seja qual fôr
Que me recorda o amor
E não mo deixa esquecer

É sempre bereve, ou quase sempre, a despedida
É sempre calma, ou quase sempre, a solidão
E é esta a calma que destrói a nossa vida
Nada é breve nas coisas do coração

E ai do vento, e ai do mar, e tudo mais
Que assim me arrasta, que me faz viver na margem
De um rio grande onde navegam os meus ais
E onde a vida não é mais que uma viagem

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