Cão sem Dono

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É nas noites que eu passo sem sono
Entre o copo, a vitrola e a fumaça
Que ergo a torre do meu abandono
E que caio em desgraça

É nas horas em que a noite faz frio
Que a lembrança, o castigo me arrasta
Solidão é o carrasco sombrio
E a saudade, a vergasta

Se eu cantar, a alegria sai falsa
Se eu calar, a tristeza começa
E eu prefiro cantar uma valsa
Que ouvir uma peça

E eu recuo, eu prossigo, eu me agito
Eu me omito, eu me envolvo, eu me abalo
E eu me irrito, eu odeio, eu hesito
E eu reflito e eu me calo


Autor(es): Paulo C. Pinheiro / Sueli Costa

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