Cuidado Com Meias Verdades

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Certa vez papai comprou
Um cavalo a um cigano
E sem perceber passou
Por um terrível engano
Foi no riacho do boi
E eu vou contar como foi
Que o cigano velho veio
E de modo bem sabido
Deixou papai mais perdido
Do que cego em tiroteio

Papai estava na cozinha
Assando um peixe na brasa
Quando lá fora uma voz
Gritou assim: - Oh de casa!
Papai ligeiro saiu
E da porta logo viu
Um homem em pé no terreiro
Que cheio de alegria
Disse pra papai: - Bom dia,
Oh meu nobre companheiro!

Papai respondeu bom dia,
Para o senhor também!
Por favor, quem é o senhor,
E de onde o senhor vem?
O cigano muito esperto
Disse assim: - eu sou Roberto,
E moro daqui pertinho
Tô vendendo esse cavalo
Se o senhor quiser comprá-lo
Eu vendo bem baratinho.

Esse meu cavalo não
Deixa a desejar em nada
E já foi mais de dez vezes
Campeão de vaquejada
Ele é bom pra valer
E eu sou vou o vender
Porque tô sendo obrigado
Pois no final desse mês
Eu vou pela quinta vez
Ser meu amigo, operado!

O cavalo era bonito,
Grande gordo e possante
Papai disse, realmente,
O cavalo é importante
Mas não tem nenhum defeito?
O cigano satisfeito
Respondeu: - Eu só lhe digo
Que olhe o cavalo bem
O defeito que ele tem
Tá na vista meu amigo!

Papai disse: - É, no cavalo,
Não vejo defeito não
Da calda até a cabeça
Ele está em perfeição.
E cheio de cretinice
O cigano ainda disse
Ao papai: - Evangelista,
Olhe o cavalo direito
Que ele tem um defeito
E o defeito tá na vista!

Papai disse: - Eu estou vendo
Seu cavalo meu amigo,
Ele não possui defeito
Eu confio no que eu digo!
Quanto é o seu cavalo?
Diga que eu quero compra-lo!
Disse ele: - Cinco mil réis
Papai disse é bom o preço
Essa raça eu conheço
Um desses aqui é dez.

Papai puxou o dinheiro
E pagou ali na hora
O cigano agradeceu
Deu no pé e foi embora.
E papai ficou dizendo:
- Eu agora estou tendo
O cavalo que eu mereço
E que eu sempre desejei
E ainda mais eu comprei
Pela metade do preço.

Papai montou no cavalo
Pra ir deixar no roçado
Acochou nele as esporas
E o bicho ficou parado
Quando do canto saía
Cambaleando batia
No que estivesse na frente
Não acertava o caminho,
E papai bem rapidinho
Ficou logo descontente.

Aí desmontou do cavalo
Lamentando insatisfeito
Foi reparar no cavalo
Pra ver se via o defeito
E viu que o cavalo não
Tinha a sua visão
Era dos dois olhos, cego,
E papai assim falou:
- O cigano me enganou,
Eu fui um trouxa, não nego!

O cigano havia dito
Com o seu instinto mal
Que o defeito tava na vista
Mas na vista do animal
E papai feito um beócio
Fechou logo o negócio
Assanhado igual um galo
E inocente como um boi
E nesse caso papai foi
Mais cavalo que o cavalo.


Autor(es): Autor / J SOUSA

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