Joca Martins

Duas Cruzes

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Um era um taura e se perdeu por taura
Outro era maula e se perdeu por maula
Quebras demais para viver em jaula
Com muita raça pra esconder a cara

Dois irmãos gêmeos um igual ao outro
De olhares gêmeos com fulgor de auroras
Mais parecidos que um par de esporas
Num par de botas de garrão de potro

O pai um tigre que a branquear ficara
Entre ossamentas num tendal de guerra
A mãe chirua com sabor de terra
O lar um rancho santa-fé e taquara

Um era maula mesmo sendo taura
Outro era taura mas não era maula
Mas não nasceram pra viver em jaula
E nem tampouco pra esconder a cara

Por isso um dia, quando o comissário
Chegou no rancho pra prender o maula
Achou dois tigres numa mesma jaula
Junto à mãe velha, deusa do santuário

Saltaram fora pra livrar das balas
A mãe querida que os amamentara
Caiu ferido junto à porta o taura
Caiu já morto logo adiante o maula

De toda a parte vinham fogonaços
E os dois ficaram mais iguais na morte
Pois mesmo tigres pra enfrentar a sorte
Não tinham breves pra atacar balaços

Do par de tauras que tombou na luta
Restou somente sem fulgor de auroras
Mais parecidas do que um par de esporas
Um par de cruzes de madeira bruta

Por isso à noite nunca faltam luzes
Defronte ao rancho onde a saudade habita
É a mãe dos gêmeos que ficou solita
E acende velas pra velar as cruzes!


Autor(es): Jaime Caetano Braun

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