Anaquim

O Desilusionista

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Longe da cidade vivia tudo conforme
Desconhecidos padrões do que é suposto
Seguiam-se as doutrinas e a lei natural
Missa ao Domingo, festa em Agosto
Honesta e penitente era a população
Que por maior bem tinha o coração

Numa noite fria avistou-se um vulto
Com intenções menos que claras
Movia-se em sombras dignas do oculto
Com aparições breves e raras
E assolou à praça erguendo uma tenda
Com um estranho nome pintado à mão

Chegou o Desilusionista pronto para levar
Pobres almas à maior das salvações
Chegou o Desilusionista pronto a habilitar
Os Diplomas das melhores instituições

Foram avançando, primeiro a medo
Depois com o gás da admiração
Os putos à frente, velhos em segredo
Uma densa roda de atenção
E quase hipnotizados já geravam ver
Um milagre pronto a acontecer

Que macabro abradacadbra
Tomou de assalto aquele lugar
No feitiço da palavras
Que se ouviam cantar
La la la la la la la la
Gritava forte a multidão
La la la la la la la la
Em cruel desilusão

Chegou o desilusionista, pronto para curar
Utopias, paixões e outros tipos de ilusões
Constrói espantosos números com verdades
Bem mais velhas que ficções

Vou começar por ajudar
Quem se quiser voluntariar
Quem mostrar um sorriso
Ou se julgar no paraíso
E quem pensa que o Governo
Não lhes vai ao ordenado
Chegue-se ao centro do palco
Para que fique já curado

Que macabro abradacadbra
Tomou de assalto aquele lugar
No feitiço da palavras
Que se ouviam cantar
La la la la la la la la
Gritava forte a multidão
La la la la la la la la
Em cruel desilusão


Writer/s: José Rebola