ASSIS VALENTE



José de Assis Valente (Santo Amaro, 19 de março de 1911 – Rio de Janeiro, 6 de março de 1958) foi um ilustrador e compositor brasileiro, levado ao suicídio por dívidas.

Fecha de nacimiento:
19 de marzo de 1911
Fecha de fallecimiento:
06 de marzo de 1958

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Assis Valente
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de Assis Valente


É conhecido por compor diversos sucessos para Carmen Miranda, além da canção "Brasil Pandeiro", que foi recusada por ela, mas tornou-se um imenso sucesso com os Anjos do Inferno e principalmente os Novos Baianos.

Valente é considerado um pioneiro na música popular do Brasil, havendo criado no país as músicas típicas dos festejos juninos (com Cai, Cai, Balão) e natalinos (com Boas Festas), ambas de 1933.


Biografia



Era filho de José de Assis Valente e D. Maria Esteves Valente. Segundo relatava, fora roubado aos pais, ainda pequeno, sendo depois entregue a uma família santoamarense que lhe deu educação, ao tempo em que o forçava ao trabalho, algo extenuante.

Quando tinha seis anos, passou por nova mudança, passando a ser criado pelo casal de Alagoinhas Georgina e Manoel Cana Brasil, dentista naquela cidade. Valente realizava trabalhos domésticos a contragosto mas, com a mudança do casal para a capital baiana, logo conseguiu trabalho no Hospital Santa Izabel e, por suas habilidades, acabou sendo contratado pelo médico irmão de seu pai adotivo, que dirigia a Maternidade da Bahia. Ali demonstrou talento e foi matriculado pelos criadores no Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, a fim de aprimorar-se no desenho e em escultura, dividindo seu tempo entre o trabalho e o estudo.

Por esta época, foi convidado por um padre para trabalhar num hospital católico na interiorana cidade de Senhor do Bonfim mas, ao declamar versos anticlericais do poeta Guerra Junqueiro numa festa popular, foi demitido. Juntou-se, então, ao Circo Brasileiro, em que declamava versos de grandes poetas e de improviso.

miniaturadaimagem|esquerda|Valente, em 1939.
Em 1927 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se empregou como protético e conseguiu publicar alguns desenhos em revistas como Shimmy e Fon-Fon.

Na década de 1930, compõe seus primeiros sambas, bastante incentivado por Heitor dos Prazeres. Muitas de suas composições alcançam o sucesso, nas vozes de grandes intérpretes da época, como Carmen Miranda, Orlando Silva, Carlos Galhardo e muitos outros. Sua admiração por Carmen fê-lo até procurar aprender a tocar, pensando que o professor fosse pai adotivo da cantora — o que não procedia. A paixão não impediu que para ela compusesse várias canções, sempre presentes em seus discos.

Em função de uma dívida cobrada por Elvira Pagã, Assis Valente tentou o suicídio pela primeira vez, cortando os pulsos. Elvira cantara alguns de seus sucessos, junto da irmã.

Em 1938 chegou a anunciar que encerraria a carreira de compositor; a revista Carioca, neste ano, declarava em matéria em sua homenagem: "Assis Valente foi sem dúvida alguma uma das maiores revelações do samba nos últimos tempos. Seu nome surgiu num instante. Cresceu rapidamente (...) Foi durante muito tempo o "ás" da música popular. Não subia uma revista à cena que uma, ou mais, de suas músicas não fossem incluídas na peça. Foi um nunca acabar."

Casou-se, em 23 de dezembro de 1939, com Nadyli da Silva Santos. Em 1941, no dia (13 de maio) tentaria o suicídio mais uma vez, saltando do Corcovado — tentativa frustrada por haver a queda sido amortecida pelas árvores. Em 1942 nasce sua única filha, Nara Nadyli, após o que separa-se da esposa.

O suicídio


Desesperado com as dívidas, Assis Valente vai ao escritório de direitos autorais, na esperança de conseguir dinheiro. Ali só consegue um calmante. Telefona aos empregados, instruindo-os no caso de sua morte, e depois para dois amigos, comunicando sua decisão. Sentando-se num banco de rua, ingere formicida, deixando no bolso um bilhete à polícia, onde pedia ao também compositor e amigo Ary Barroso que lhe pagasse dois aluguéis em atraso. Morria às seis horas da tarde. No bilhete, o último "verso":

"Vou parar de escrever, pois estou chorando de saudade de todos, e de tudo."


Composição e poética



miniaturadaimagem|Uva de Caminhão, sucesso com Carmen Miranda em 1939.
Seu trabalho foi um dos mais profícuos da música, constando que chegava a compor quase uma canção por dia — muitas delas vendidas a baixos preços para outros, que então figuravam como autores. Seu primeiro sucesso, ainda de 1932, foi "Tem Francesa no Morro", cantando por Aracy Cortes. Foi autor, também, de peças para o Teatro de revista, como Rei Momo na Guerra, de 1943, em parceria com Freire Júnior. Após sua morte, foi sendo esquecido, para ser finalmente redescoberto nos anos 1960, nas vozes de grandes intérpretes da MPB, como Chico Buarque, Maria Bethânia, Novos Baianos, Elis Regina, Adriana Calcanhoto, etc.

Excertos


Suas canções foram muitas vezes regravadas, mesmo depois de sua morte, atingindo sucessivas gerações, no Brasil. Suas composições trazem um conteúdo poético, que buscam emocionar, algumas com um teor mais reflexivo. Alguns exemplos:

:"Já faz tempo que eu pedi
:Mas o meu Papai Noel não vem
:Com certeza já morreu
:Ou então felicidade
:É brinquedo que não tem"
(de: "Boas Festas")

"Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor

Eu fui à Penha e pedi à padroeira para me ajudar

Salve o Morro do Vintém, pendura a saia que eu quero ver

Eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar"
(de: "Brasil Pandeiro").

Musicografia


Sua farta produção foi capaz de popularizar expressões, que eram faladas no Brasil todo, como "Deixa estar, jacaré" – ou durante todos os anos voltar a ser tocadas, como "Cai, Cai, Balão". Seus principais sucessos:


Composição Parceria Ano Estilo Intérpretes
A Folia Chegou1938marcha
A Infelicidade me Persegue1936sambaSônia Carvalho; Dora Lopes
A Rosa e Ventosamba
A Saudade me Viu1938sambaBando da Lua
A Semana Findou1950samba
A Vida é BoaHerivelto Martins e Francisco Sena1934marcha
Abre a Boca e Fecha os Olhos1933sambaMoreira da Silva
Acabei a Paciência1933sambaJaime Vogeler
Acorda, São João1934marchaCarmem Miranda, Moraes Moreira
Adivinhação1936marchaBando da Lua
Boneca de pano1950sambaCarmen Costa
Brasil Pandeiro1940sambaBando da Lua
Cai, Cai, Balão1933marchaFrancisco Alves e Aurora Miranda
Camisa Listrada1937choroMarlene
E o Mundo Não se Acabou1938choroMarlene
Este Samba Foi Feito pra VocêHumberto Porto1935samba
Fez Bobagem1942samba
Good Bye, Boy1933marchaCarmen Miranda
Tem Francesa no Morro1932sambaAraci Cortes
Uva de Caminhão1939sambaMarlene




Discografia e homenagens



Quatro álbuns póstumos reúnem trabalhos do compositor:
  • Assis Valente (1970) - RCA/Abril Cultural 33/10 pol
  • Assis Valente (1977) - Abril Cultural 33/10 pol.
  • Assis Valente (1989) - FUNARTE LP
  • Assis Valente com Dendê - Sons da Bahia (Secretaria da Cultura e Turismo da Bahia - Bahiatursa); Salvador, 1999.
De 1956 é o álbum "Marlene Apresenta Sucessos de Assis Valente", da cantora Marlene. A Rede Globo, em 1977, dedica-lhe todo um programa da série "Brasil Especial". A mesma emissora, na década de 1980, usa um título de uma composição sua para nominar um programa – "Brasil Pandeiro" – apresentado pela actriz Beth Faria.
  • "Brasil Pandeiro - Assis Valente", obra da Ed. Irmãos Vitale (Coleção "Canta um Conto", 2004, ISBN 8574071730) traz um pouco da obra do grande compositor.
  •  El contenido de este artículo ha sido extraído de la Wikipedia en portugués bajo licencia Creative Commons.

     










     
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